“Pode beijar o noivo!”

– Como você está linda! – disse um dos rapazes sentados no sofá assim que a garota entrou na sala.
 O outro ergueu o olhar do retrato na mesa de centro e dirigiu-o para a cunhada, num vestido azul, esbanjando alegria e beleza. – Ela não está linda, ela é. Sempre.  
– Obrigado, meninos! – ela disse enquanto caminhava até eles.
– Você tem razão, ela é a garota mais linda que já vi nessa terra!
 Disse o primeiro rapaz e então levantou-se e deu um abraço nela.
– Você também não ficou nada mal de smoking, Tony – disse ela e os três riram. – Os dois estão lindos!
– Pelo menos para o meu casamento eu tenho que ficar, não? – questionou Tony, que em seguida substituiu o abraço por um beijo na testa da moça. 
– Vamos, então? – disse o rapaz sentado; ele pegou um buquê de rosas ao seu lado e se levantou. A garota confirmou que estava pronta e eles saíram.

Ao chegar no carro, estacionado em frente à casa, o mais alto dos rapazes entregou o buquê para a garota e foi para o volante.
Havia um misto de nervosismo e doçura no ar.
– Conseguiu convencer sua mãe, Jessie? – o motorista perguntou olhando a garota pelo retrovisor.
– Não, ela não vem – a garota respondeu tristonha. 
– Não faz diferença! Não é como se a gente esperasse que ela fosse vir – disse Tony, emburrado no banco do carona. Jessie colocou a mão no ombro dele como quem diz que está tudo bem, que está aqui para o que precisar. 
Após um longo silêncio, falaram brevemente sobre a lua de mel. Estavam dizendo sobre o quanto iam voltar bronzeados quando deram conta de que haviam chegado em seu destino. 


O cartório da cidade estava preenchido com uma diversidade de gente; homens, mulheres e alguns que misturavam os dois. A mídia também estava lá, era um dia pioneiro e memorável naquela cidade mineira. Quando os três entraram foram aplaudidos e fotografados. 
Uma sequência de abordagens se iniciou, de pessoas querendo congratular, de jornalistas querendo uma palavrinha, de gente querendo coordenar as coisas. No meio disso surgiu também uma senhora mais velha. 


– Mãe? – disse Tony. Ambos se encararam por tempo suficiente para que lágrimas escorressem e então se abraçaram. 
– Eu tive que lutar contra minhas crenças, filho… E eu fiz isso! Eu te amo e quero que você seja feliz. Quero que você seja amado. Descobri que não importa de onde ou de quem venha esse amor. Me perd…
 – Eu te perdoo, mãe.
Terminando de abraçar o filho ela foi até o outro noivo.
– Se tem alguém que pode fazer meu filho feliz, mais do que qualquer mulher ou criatura nessa terra, eu sei que esse alguém é você, Lucas – e deu um abraço nele também.


Tony e Lucas se olharam com sorrisos que mal cabiam em seus rostos. 
Se aproximaram, se abraçaram, entrelaçaram os dedos e dirigiram-se ao balcão onde o magistrado esperava há algum tempo. Após confirmarem que estavam se unindo por livre e espontânea vontade, por livre e espontâneo amor, assinaram um documento.

O juiz olhou para o papel e deu um sorrisinho.
– Pois bem, vocês estão oficialmente casados. Pode beijar o noivo.

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